"Leandro deixava que ele [Bernardo] comesse no prato do cachorro. E achava graça disso", afirmou ao G1, sobre o comportamento do médico. "Há muitos indicativos de frieza. Eles [casal] foram para uma festa em Três de Maio, no dia seguinte. Enfim", acrescentou a promotora, visivelmente emocionada.
Ainda sobre o ambiente dentro da casa dos Boldrini, a promotora trouxe novos relatos de testemunhas a respeito da relação entre Leandro e Graciele. “Nós temos declarações de uma pessoa que trabalhava na casa, que mais de uma vez escutou o Leandro e a Graciele falando, mais de uma vez, que se fulano ou ciclano estavam falando mal dele, 'a gente paga para matar'. É claro que nós temos a lamentar uma omissão verificada com parte de pessoas que depois contribuíram”, completou.
Dinamárcia relembrou o momento em que Bernardo foi até o Ministério Público pedir para que tirassem sua guarda do pai. Segundo a promotora, durante conversa que aconteceu em janeiro, o menino sentou no seu colo e pediu ajuda.
“Esse menino tinha tanta necessidade de afeto que ele sentou no meu colo. E eu mostrei a pasta com os arquivos, que eu tinha havia um mês. Quando ele me disse que queria outra família, eu nem evitei. Eu pensei que tamanho desamor deveria ser investigado”, contou.
Em audiência em 31 de janeiro, no entanto, o pai Leandro entrou em consenso com a Justiça e prometeu dar a Bernardo a chave de casa, um cachorro e outros pedidos, além da promessa de melhorar o ambiente familiar. “Ele disse que ia tentar se reconciliar com o filho. Mas, contra psicopatas, não há rede de prevenção imune”, salientou Dinamárcia.
O MP denunciou o pai Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini, a assistente social Edelvânia Wirganovicz e o seu irmão, Evandro Wirganovicz. O pai, a madrasta e a assistente social responderão por homicídio quadruplamente qualificado (motivos torpe e fútil, emprego de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. Evandro também foi acusado de envolvimento no assassinato e ocultação de cadáver. O pai foi denunciado, ainda, por falsidade ideológica.
O MP sustentou ter elementos que comprovam que Leandro Boldrini foi o “patrocinador” do crime, como interceptações telefônicas (ouça os áudios) e laudos periciais. "Ele tinha o domínio do fato. A decisão da morte do filho foi dele. A prova existe", sintetizou a promotora na coletiva à imprensa. Dinamárcia disse ainda que Leandro manipulou a esposa para que ela matasse Bernardo.
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